
Feminismo e liberdade feminina: Os direitos que conquistamos
Entenda como o feminismo conquistou direitos pras mulheres e por que o machismo limita a liberdade feminina, inclusive nos relacionamentos.Se hoje a gente pode estudar, votar, trabalhar, ter o próprio dinheiro e viajar sozinha, é porque outras mulheres lutaram muito antes da gente. Mas, por que em pleno 2026 ainda tem mulher que é contra o feminismo e acha que o casamento deve podar a liberdade de outras mulheres?
Em pleno 2026, eu ainda recebo comentários perguntando se o meu marido “deixa eu viajar sem ele“. E sabe o que é mais chocante nesse tipo de pergunta? É que a grande maioria desses comentários vem de outras mulheres!
Quando eu escrevi sobre liberdade feminina depois daquele post do carnaval, mais de 2.000 pessoas pararam de me seguir e eu li de tudo: “Que sair sozinha sendo casada é libertinagem”, “que eu não respeito o meu marido”, “que mulher casada precisa se dar ao respeito”… E, adivinha? A maioria das críticas veio de mulheres.
São mulheres que acreditam que, depois do casamento, a gente precisa mudar o comportamento, abrir mão de certas experiências e fazer tudo acompanhada do marido. Mulheres que enxergam o ciúme como prova de amor, o controle como cuidado e a independência feminina como uma ameaça ao relacionamento.
Mas, ninguém nasce acreditando que precisa pedir permissão pro marido pra viajar, né?! Essas ideias são aprendidas e repetidas de geração em geração, até começarem a parecer verdade absoluta. Só que não são!
E basta conhecer um pouquinho da história dos direitos das mulheres no Brasil pra entender o quanto foi preciso lutar por liberdades que hoje parecem tão normais.
Nesse post você vai ler:
- Afinal, o que é feminismo (e o que ele não é)?
- Os direitos que outras mulheres conquistaram pra gente
- O machismo não vem só dos homens
- Casar não é aposentar quem você é
- Viajar sozinha sendo casada também é político
- A liberdade ainda não é igual pra todas
- Como combater o machismo que a gente aprendeu a repetir
- A liberdade que a gente tem hoje não caiu do céu
- Lembre de sempre viajar com internet
- Seguro viagem é essencial pra qualquer viagem sozinha
- Viaje pelo mundo sem pagar por hospedagem
Afinal, o que é feminismo (e o que ele não é)?
Antes de falar dos direitos que a gente conquistou, eu preciso esclarecer uma coisa, porque tem muita gente falando de feminismo sem saber o que ele é.
De um jeito bem simples: O feminismo é um movimento social, político e intelectual que luta pra que as mulheres tenham os mesmos direitos, oportunidades e liberdades que os homens.
E não, gente, o feminismo não é contra os homens!
Também não existe um manual dizendo como uma feminista tem que se vestir, se pode usar maquiagem, se precisa depilar as axilas, casar, ter filhos ou seguir tal profissão (juro que já ouvi tudo isso rs).
Uma mulher pode querer construir uma família, cuidar da casa e se dedicar à maternidade. Outra pode querer trabalhar, rodar o mundo de mochilão, não casar e não ter filhos. E uma terceira pode querer tudo isso ao mesmo tempo!
O problema nunca foi a escolha que uma mulher faz. O problema são os limites que colocam nela só porque ela nasceu mulher.
O feminismo não quer que todas as mulheres sejam iguais. Ele quer derrubar o que impede a gente de viver do nosso jeito. E essa luta não começou ontem, não!
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Os direitos que outras mulheres conquistaram pra gente
Boa parte da liberdade que a gente tem hoje foi construída por mulheres que se organizaram, questionaram leis injustas e bateram de frente com uma sociedade que insistia em dizer qual era o “lugar” delas. Olha só o caminho:
2024 – Feminicídio vira crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos (Lei 14.994)
2023 – Lei da Igualdade Salarial (Lei 14.611), confirmada pelo STF em 2026
2015 – Feminicídio passa a ser qualificadora do homicídio e crime hediondo (Lei 13.104)
2006 – Lei Maria da Penha (Lei 11.340)
1988 – Constituição garante igualdade entre homens e mulheres, inclusive no casamento, e licença-maternidade de 120 dias
1977 – Lei do Divórcio (Lei 6.515)
1965 – Voto feminino passa a ser obrigatório, igual ao dos homens
1962 – Estatuto da Mulher Casada (Lei 4.121): fim da autorização do marido pra trabalhar
1932 – Voto feminino no primeiro Código Eleitoral (Decreto 21.076)
1879 – Reforma Leôncio de Carvalho (Decreto 7.247) abre o ensino superior às mulheres
1- Estudar e entrar na faculdade
Imagina crescer ouvindo que estudar não é necessário porque o seu futuro já está decidido: Casar, cuidar da casa e criar os filhos. Durante muito tempo, essa foi a realidade de inúmeras meninas.
No Brasil, o Decreto 7.247, de 1879, conhecido como Reforma Leôncio de Carvalho, é considerado o marco que permitiu legalmente a matrícula de mulheres no ensino superior. Mas, foi só o primeiro passo: O acesso das mulheres às universidades aconteceu aos pouquinhos, ao longo de muitas décadas.
E essas oportunidades nunca chegaram de forma igual pra todas. Mulheres negras, indígenas e pobres enfrentaram (e ainda enfrentam) obstáculos a mais por causa do racismo e da desigualdade social.
2- Votar e participar das decisões políticas
Hoje parece tão natural votar que muita gente nem imagina que essa conquista é recente. O voto feminino só foi reconhecido em 24 de fevereiro de 1932, com o Decreto 21.076, que criou o primeiro Código Eleitoral brasileiro.
E isso foi fruto de décadas de luta de mulheres como Bertha Lutz e Leolinda Daltro. Em 1933, as mulheres puderam votar e ser votadas pela primeira vez, na eleição da Assembleia Constituinte, e a Constituição de 1934 consolidou o voto feminino. Mas, tem um detalhe que pouca gente sabe: Durante anos o voto das mulheres foi facultativo, enquanto o dos homens era obrigatório. Só em 1965 ele foi equiparado ao dos homens!
Pensa no absurdo: Leis sobre casamento, trabalho, família e educação mudavam a vida das mulheres, mas a gente não podia nem escolher quem fazia essas leis!
3- Trabalhar sem pedir autorização pro marido
Essa é a que mais choca as minhas seguidoras: Mulher casada já precisou de autorização do marido pra trabalhar. Isso estava no Código Civil de 1916 e só caiu com o Estatuto da Mulher Casada, a Lei 4.121, de 1962. Ou seja, há pouco mais de 60 anos!
Mas vale lembrar: Mulheres sempre trabalharam. Mulheres pobres, negras, indígenas e trabalhadoras rurais sustentaram a economia muito antes de qualquer lei. A luta nunca foi só pelo direito de trabalhar, mas pela autonomia e pelo reconhecimento do próprio trabalho.
E essa luta continua. Em 2023, o Brasil aprovou a Lei da Igualdade Salarial e, em maio de 2026, o STF decidiu por unanimidade que ela é constitucional. Se precisa de lei pra garantir salário igual pra mesma função, é porque a desigualdade ainda tá aí, né?
Eu, que construí a minha carreira como criadora de conteúdo compartilhando as minhas viagens, sei bem o valor de poder escolher como ganhar o meu dinheiro.
4- Ter o próprio dinheiro e decidir sobre a própria vida
Antes da minha mãe falecer, ela me deixou uma carta. E uma das coisas que ela escreveu foi: “Seja independente financeiramente, nunca dependa de ninguém, tenha o seu próprio dinheiro pra fazer o que você quiser, na hora que você quiser.”
Eu levo isso comigo até hoje. E só depois de adulta eu entendi o tamanho desse conselho, porque essa autonomia nem sempre foi garantida pras mulheres.
O Código Civil de 1916 tratava a mulher casada como relativamente incapaz. Na prática, ela precisava da autorização formal do marido até pra aceitar uma herança ou ter uma profissão.
O Estatuto de 1962 acabou com essa incapacidade, e a Constituição de 1988 garantiu a igualdade entre marido e mulher dentro do casamento.
Uma mulher sem acesso ao próprio dinheiro tem muito mais dificuldade pra sair de um relacionamento abusivo, mudar de cidade, estudar ou recomeçar a vida. Dinheiro sozinho não garante liberdade, mas é uma ferramenta poderosa pra ter escolhas de verdade.
5- Se divorciar e recomeçar
Imagina estar num casamento infeliz e descobrir que a lei não permite o divórcio. Isso foi realidade no Brasil até 1977, quando a Lei 6.515, a Lei do Divórcio, foi aprovada. Antes disso existia o desquite, que separava o casal, mas não permitia um novo casamento.
Durante gerações, o “sucesso” de uma mulher foi medido pela capacidade de manter a família unida, não importava o quanto ela tivesse que aguentar. A lei mudou, mas até hoje tem mulher sendo julgada por terminar um relacionamento, por não querer casar ou por não querer ter filhos.
O direito ao divórcio não é ser contra o casamento. É entender que ninguém deveria ser obrigado a ficar numa relação contra a própria vontade. A liberdade tá justamente em poder escolher.
6- Igualdade dentro do casamento
A Constituição de 1988 estabeleceu a plena igualdade entre homens e mulheres, inclusive na sociedade conjugal. Foi o fim legal da ideia de que o marido é o “chefe da família”.
Mas, se a lei diz que marido e mulher têm os mesmos direitos desde 1988… por que ainda parece tão normal perguntar se o marido deixa a esposa fazer alguma coisa? Porque nenhuma lei consegue apagar, sozinha, o machismo cultural.
7- Viver sem violência
“Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.” Quantas vezes você já ouviu isso? Essa frase ajudou a normalizar o silêncio diante da violência doméstica por muito tempo.
Em 2006, o Brasil aprovou a Lei Maria da Penha, que reconhece cinco formas de violência doméstica e familiar: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Ou seja, violência não é só agressão física!
Em 2015, a Lei 13.104 colocou o feminicídio no Código Penal como qualificadora do homicídio e crime hediondo. E, em 2024, a Lei 14.994 transformou o feminicídio em crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos de prisão, a maior pena do Código Penal.
E o controle quase sempre começa pequeno: Vigiar o celular, fiscalizar as amizades, exigir explicação de cada passo, tentar impedir a mulher de trabalhar. Isso não quer dizer que todo desentendimento de casal é violência. Mas, conversar sobre acordos é uma coisa, e tentar controlar a liberdade do outro é outra completamente diferente. Amar alguém não deveria significar ter poder sobre essa pessoa.
8- Maternidade protegida e escolhas reprodutivas
Durante muito tempo esperavam que toda mulher fosse mãe e cuidasse dos filhos praticamente sozinha. Ao mesmo tempo, quem precisava trabalhar tinha dificuldade pra conciliar emprego e gravidez.
A Constituição de 1988 garantiu a licença-maternidade de 120 dias. E essa e várias outras conquistas são atribuídas à mobilização das mulheres na Constituinte, que ficou conhecida como Lobby do Batom.
Uma mulher não é menos mulher porque não quer ser mãe e também não é menos independente porque escolheu a maternidade. Não adianta dizer que a mulher pode ser tudo o que quiser enquanto se espera que ela faça tudo sozinha.
O machismo não vem só dos homens
Agora a gente chega na parte que mais me faz refletir: Se tantas mulheres lutaram por tudo isso, por que tem mulher que é contra o feminismo? Por que tem mulher que ainda acha que outra mulher deveria abrir mão da liberdade depois de casar? Por que uma mulher viajando sozinha incomoda tanto? E por que tantas vezes esses comentários vêm justamente de outras mulheres?
A resposta tem nome: Machismo internalizado.
Ninguém cresce fora da sociedade em que vive. Desde pequenas, muitas meninas aprendem que precisam ser delicadas, obedientes e responsáveis por manter a paz da família. E muitos meninos aprendem que precisam ser fortes, dominantes e tomar as decisões importantes.
Isso vem da família, da escola, da igreja, da novela, do filme, das redes sociais… E, quando uma ideia é repetida por gerações, ela vira um padrão que quase ninguém questiona. É assim que algumas mulheres acabam defendendo, sem perceber, os mesmos limites que foram impostos a elas.
E olha, preciso deixar uma coisa bem clara aqui: Isso não significa que toda mulher que quer um casamento tradicional é machista. Uma mulher pode escolher dedicar a vida à família, e tá tudo bem!
O problema começa quando ela acredita que todas as outras mulheres deveriam fazer o mesmo, ou que quem escolhe um caminho diferente merece ser julgada.
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“Seu marido deixa?”: Quando o controle vira sinônimo de cuidado
Quantas vezes você já ouviu uma dessas?
– “Seu marido deixa você viajar sozinha?”
– “Depois que casar, você vai sossegar.”
– “Mulher casada não deveria sair por aí sozinha.”
– “Se ele não sente ciúme, é porque não se importa.”
– “Quem é casada precisa se dar ao respeito.”
Parecem comentários inocentes, né? Mas, repara só na pergunta “seu marido deixa?”. Ela já parte do princípio de que o marido tem autoridade e que a esposa depende da autorização dele pra decidir a própria vida.
Por que a liberdade da mulher ainda é tratada como uma coisa que o marido concede?
Num relacionamento saudável, as duas pessoas conversam sobre os planos, fazem acordos e pensam no bem-estar uma da outra. Eu converso com o Mark sobre as minhas viagens, claro! A gente tem uma vida juntos, planos em comum e se importa um com o outro.
Mas, isso é muito diferente de eu precisar da autorização dele só porque eu sou mulher. E o mesmo vale pra ele: Respeito e diálogo têm que ir pros dois lados.
E o ciúme? Ciúme é uma emoção humana, todo mundo pode sentir. Mas, sentir ciúme é uma coisa. Usar esse sentimento pra controlar, vigiar ou limitar a liberdade do outro é outra completamente diferente.
Pra mim, respeito tem muito mais a ver com honestidade, confiança e comunicação do que com estar grudado o tempo inteiro. Tem gente que tá do lado do parceiro todos os dias e desrespeita profundamente o relacionamento. E tem gente que tá do outro lado do mundo e continua sendo uma parceira presente e comprometida. A distância física não define o caráter de ninguém!
Casar não é aposentar quem você é
Pra algumas pessoas, parece que o casamento é uma espécie de aposentadoria da individualidade. A mulher que amava viajar sozinha, sair com as amigas e viver coisas novas deveria largar tudo isso depois do “sim”.
Como se encontrar alguém pra dividir a vida significasse deixar de ter uma vida própria. Mas por quê? Por que o amor exigiria que a gente diminuísse pra caber nas expectativas do outro?
Claro que construir uma vida a dois envolve adaptações e concessões. Mas, elas têm que vir dos dois lados, e não cair automaticamente nas costas da mulher. Por que nunca é o homem que tenta se encaixar?
Aliás, até a frase “meu marido me ajuda em casa” merece uma reflexão. Se duas pessoas moram na mesma casa, por que uma é a responsável e a outra só “ajuda”? E isso não é impressão minha, não: Em 2022, segundo o IBGE, as mulheres dedicaram em média 21,3 horas por semana aos afazeres domésticos e cuidados, contra 11,7 horas dos homens. Entre as mulheres casadas ou que vivem com companheiro, essa média sobe pra 23 horas e 6 minutos.
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Viajar sozinha sendo casada também é político
Pra muita gente, viajar sozinha é só lazer. Pra mim, é muito mais que isso!
É poder conhecer lugares, pessoas e culturas sem ter que justificar a minha existência ou provar que continuo sendo uma boa esposa. E essa liberdade tem história. Afinal, como uma mulher ia planejar uma viagem se não tivesse autonomia sobre o próprio dinheiro? Como ia ter uma carreira que permitisse viajar se precisasse da autorização do marido pra trabalhar?
Viajar sozinha pode parecer só uma escolha pessoal, mas a liberdade de fazer essa escolha é resultado de muitas lutas coletivas.
E isso não quer dizer que toda mulher precisa viajar sozinha. Quer dizer que nenhuma mulher deveria ser impedida de viver uma experiência só porque nasceu mulher.
Eu amo o meu marido, amo a nossa vida juntos e amo as viagens que a gente faz como casal. Mas, também amo viajar sozinha! Amo os momentos de silêncio, conhecer gente nova, fazer amizades inesperadas e descobrir como eu reajo diante de situações diferentes. Como eu já falei no post sobre o poder de viajar sozinha, é uma viagem sem volta pro autoconhecimento.
E nada disso diminui o amor que eu sinto por ele. Assim como viajar acompanhada não diminui a independência de ninguém. Autonomia não é fazer tudo sozinha, é poder escolher quando a gente quer estar sozinha e quando quer dividir a experiência com alguém.
A liberdade ainda não é igual pra todas
Seria muito injusto da minha parte terminar esse texto dizendo que todas as mulheres já conquistaram a liberdade plena. Não conquistaram!
Ter o direito garantido na lei é fundamental, mas não significa que todas conseguem exercê-lo do mesmo jeito. Uma mulher com independência financeira, rede de apoio e acesso à educação vive uma realidade muito diferente de uma mulher sem renda própria, sobrecarregada com os filhos ou presa num relacionamento violento. E mulheres negras, indígenas e com deficiência ainda enfrentam outras camadas de discriminação.
Não adianta eu defender que toda mulher deveria poder viajar sozinha e ignorar que muitas não conseguem nem pagar as contas do mês. Não adianta dizer que toda mulher pode sair de um relacionamento abusivo sem reconhecer o tamanho dos obstáculos financeiros e emocionais que existem.
Liberdade não é só ter um direito no papel. É ter condições reais de viver esse direito e é por isso que essa luta continua tão necessária em 2026.
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Como combater o machismo que a gente aprendeu a repetir
Talvez o primeiro passo seja perceber quando nós mesmas estamos repetindo ideias que limitam a liberdade de outras mulheres. E isso exige coragem pra questionar frases e comportamentos que a gente sempre achou normais.
Antes de criticar uma mulher por viajar sozinha, por não querer casar, por não querer ter filhos ou por priorizar a carreira, faz esse exercício comigo:
– Por que a escolha dela me incomoda tanto?
– Eu tô preocupada com o bem-estar dela ou só incomodada porque ela vive diferente de mim?
– Eu faria o mesmo julgamento se fosse um homem?
– Essa opinião é um valor que eu escolhi ou uma regra que me ensinaram e eu nunca questionei?
A gente não precisa concordar com todas as decisões das outras mulheres, nem querer viver do mesmo jeito. Mas, respeitar a liberdade feminina é reconhecer que a mulher do nosso lado tem o mesmo direito de construir uma vida diferente da nossa.
E os homens também precisam fazer parte dessa mudança, tá? A igualdade não pode depender só das mulheres. É preciso repensar como os meninos são educados, como a gente divide as tarefas de casa, como entende o amor e como reage à independência feminina. Uma sociedade mais justa não se constrói só mudando as leis.

A liberdade que a gente tem hoje não caiu do céu
Se hoje a gente pode votar, estudar, trabalhar, ter o próprio dinheiro, terminar um casamento e viajar sozinha, é porque outras mulheres desafiaram regras que pareciam impossíveis de mudar. Mulheres que foram ridicularizadas por querer estudar, que enfrentaram resistência por querer votar e que lutaram pra que a violência doméstica deixasse de ser “assunto de família”. Muitas delas nem chegaram a aproveitar os direitos pelos quais lutaram, mas abriram o caminho pra gente.
Eu não acho que toda mulher precisa viajar sozinha pra ser independente e também não acho que precisa ter carreira, casar ou ser mãe pra provar que é livre. O feminismo não é sobre todas nós fazermos as mesmas escolhas. É sobre todas nós termos o direito de fazer as nossas.
Eu amo o meu marido, amo o casamento que a gente construiu e amo a nossa vida juntos. Mas, também amo a pessoa que eu sou sozinha e nunca entendi por que essas duas coisas deveriam ser incompatíveis.
O amor que eu sinto por ele não diminui quando eu viajo sozinha. O respeito pelo nosso relacionamento não some quando eu tô longe. A gente é duas pessoas inteiras que escolheram dividir a vida, e não duas metades que precisam abrir mão de quem são pra continuar juntas.
Uma mulher não se torna menos esposa porque continua sendo dona da própria vida.
Então, antes de julgar a liberdade de outra mulher, pergunta pra você mesma: Essa opinião é realmente minha ou é só uma regra machista que me ensinaram a aceitar?
Porque tão importante quanto conquistar a nossa liberdade é aprender a respeitar a liberdade das outras mulheres. E, se tantas vieram antes da gente pra abrir esses caminhos, que a nossa geração não seja a responsável por fechá-los de novo.
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Mary Teles











