Downhill na Death Road em La Paz [Cap.21]

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BOLÍVIA – CHILE – PERU EM 23 DIAS (ABRIL/2016) POR $ 1.300,00 DÓLARES NA VIAGEM
[T-U-D-O MESMO = $1.900,00 dólares]

 

CAP.21: Vale a pena fazer o Downhill na Death Road em La Paz

20/4/2016

Vale muito a pena dar um lida no capítulo anterior pra entender onde compramos os passeios, o que eles oferecem, quanto pagamos e tudo mais.
Fechamos o passeio pela Xtreme Downhill e pagamos um total de 450,00 bolivianos pelo passeio que incluía: transporte, café da manhã, dois guias, equipamentos, bicicleta de dupla suspensão, almoço buffet num sítio com piscina e camisa.

Dica: É muito importante que vocês peguem uma bicicleta boa, principalmente pra quem é iniciante no esporte. A bicicleta de apenas uma suspensão vai ser bem mais barata, mas não compensa o perigo e o desconforto de ficar sacolejando ao longo de quase 63 km. Pegue uma bicicleta de dupla suspensão que vai te dar mais segurança na hora de pilotar e muito mais conforto pros seus punhos e pra sua bundinha rs. 

Dica esperta: Depois soubemos de uma empresa séria e comprometida que também fazia o passeio do Downhill e Chacaltaya + Valle de la Luna por um preço super barato. O nome da agência é Arco Travel (Calle Sagarnaga Y Murillo, nº 213 segundo andar) e ela fica dentro de uma galeria (acho que o nome da galeria é “Doryan” que tem crepes maravilhosos no primeiro andar. Os valores normais aplicados por eles são: 350,00 bolivianos pra bicicleta dupla suspensão (+ 50,00 bolivianos de taxa no local) e 90,00 bolivianos pro passeio do Chacaltaya + Valle de la Luna (+ 30,00 bolivianos de taxa no local). Sendo que conhecemos dois brasileiros que fecharam lá e choraram muito um desconto que conseguiram fechar o pacote todo (com todas as taxas incluídas) por 420,00 bolivianos! Quase chorei quando ouvi isso!

Chegou o dia do passeio mais esperado de La Paz. Eu tava tão ansiosa que me deu uma dor de barriga bizarra e acordei já indo direto pro banheiro. Como eu acordava antes que todo mundo pra falar com o boyfriend, não atrasei ninguém, mas o Mark não teve muito tempo pra falar comigo direito.

Depois de já ter passado o susto (leia-se: a caganeira), acordei o resto da galera às 6:15 pra nos arrumarmos e esperarmos a van nos pegar no hostel (entre 6:45 e 7:00). Enquanto todos esperavam na recepção e tentavam se conectar na internet sem sucesso eu tava correndo de um lado pro outro que nem uma barata tonta pra tentar conseguir um bom remédio pra dor de barriga. Eu iria fazer o downhill nem que eu tivesse que descer os 63 km cagando nas calças.

Falei com o moço da recepção e ele disse que o melhor remédio que eu poderia tomar era o chá de folha de coca. Corri no quarto, peguei minha garrafinha de água, esvaziei e corri no último andar onde serviam o café da manhã (não estavam servindo ainda) e pedi pra moça me arrumar água quente, ela foi muito gentil e me deu um pouco de água e eu peguei as folhas de coca que tínhamos comprado lá no tour do Uyuni, lembram? Aquele pacotinho que compramos no início da viagem e que quase fudeu a gente na fronteira do Chile… Enfiei quase meio saco dentro da garrafa e o moço falou pra eu sacudir e esperar uns 5 minutos e beber o quanto eu conseguisse.

Caraaaa a parada era nojenta, mas fui bebendo de olho fechado e rezando pra dar tudo certo. O nosso guia chegou e nos levou até à van onde pudemos conhecer nossos companheiros de aventura. Vocês acreditam que tinha até um cachorrinho dentro da van?! Paramos em mais um ou dois hostels pra pegar mais gente e depois seguimos pra uma espécie de supermercado onde um dos guias desceu e comprou várias balas pra dar pra gente. Depois ele explicou rapidamente como seria a descida e pediu pra gente preencher um termo de autorização e consciência dos riscos do passeio. Ah! Ele ainda cobrou a taxa de 50,00 bolivianos de todo mundo.

Seguimos direto por uns 30/45 minutos até o ponto onde tomaríamos café da manhã (incluso no pacote), colocaríamos os equipamentos e testaríamos as bikes. Lá tava bem frio mesmo. Sério! Congelante! Os guias montaram uma mesa com uns pães duros, manteiga, café e chá de folha de coca.

Eu, obviamente, fui atacando o chá de folha de coca, mas Vagner vez o favor de derrubar no chão o recipiente que eles colocaram as folhas de coca (foi sem querer). Passamos por uma vergonha alheia básica, depois o Vagner meio que catou algumas folhas do chão, colocou de volta no potinho e colocou na mesa, como se nada tivesse acontecido.

Todo mundo pulando, dando peteleco um no outro, correndo pra tentar espantar o frio, mas tava bem difícil. Tinha um guia que ficava tirando várias fotos nossas ao longo do passeio e aí ele organizou geral perto da mesa de desayuno e todos fingiram estarem super bem, sem qualquer tipo de problemas climáticos.

Enquanto isso, o outro guia tava organizando os equipamentos (capacetes, luvas, joelheiras, cotoveleiras, jaquetas e calças) no chão em ordem de tamanho (do menor pro maior). Eu dei uma fugidinha e fui fazer xixi atrás da pedra e pedi pras meninas vigiarem pra não ir ninguém lá. Eis que um menino brota no chão e me vê naquela posição linda de cócoras, com um vento frio batendo na minha bunda e segurando um papel higiênico na mão. O garoto ficou tão sem graça quanto eu e acho que nem fiz o xixi todo de tanta vergonha. Trinquei o xixi lá dentro mesmo, me sequei e fiz uma cara de “agora você pode ir!”.

Enfim, o guia posicionou cada um em frente ao que deveria ser seu equipamento e pediu pra todos vestirem. A gente tava todo agasalhado e ainda tava morrendo de frio, colocamos a jaqueta e a calça da empresa por cima das nossas roupas e ainda continuamos congelados. Quando vesti minha calça, parecia que tinham me dado uma calça de anão (nada contra anões, mas ficou mega pescando em mim e fora que tava dividindo e apertando minha bimbinha). Pedi pra trocar e me deram uma calça de homem que ficou parecendo que eu tinha um saco enorme, mas era melhor folgadinha do que fazendo pata de camelo, né?

Todos equipados, chegou a hora de testarmos as bicicletas e recebermos as orientações. Como 90% do nosso grupo falava inglês e o Vagner e a Pate só entendiam espanhol, os guias fizeram dois grupos: um com todas as pessoas da van e outro só com os quatro brasileiros.

O guia deu todas as explicações do tipo: cada um vai no seu tempo, não precisa acompanhar a velocidade do coleguinha, mantenha uma distância segura da pessoa da frente, ande com um metro de distância do penhasco (acho que isso nem precisava avisar, mas ok rs), nunca andar no meio, sempre à direita na parte do asfalto e à esquerda na parte de terra, se precisar frear, nunca aperte os dois freios de uma vez com força porque você pode derrapar, aperte suavemente o de trás e vá moderando com o dá frente, terá sempre um guia na frente e um atrás do grupo, a van sempre segue o grupo atrás, etc. Ah! é importante ressaltar que você pode desistir do passeio a qualquer momento. É só dizer pro guia que não quer mais descer de bike que ele vai colocar sua bicicleta no teto da van e você vai fazer todo passeio dentro da van sem nenhum problema.

Antes de partirmos, eu pedi pro guia me ajudar a prender a minha gopobre no guidon (não sei se é assim que escreve) da bicicleta pra ir filmando tudo. Algumas pessoas colocaram a gopro nos capacetes com suporte próprio e outras tinham aqueles coletes que dá pra prender a gopro. Eu queria prender a minha no guidon mesmo, porque seria mais fácil controlar quando filmar e quando tirar foto.

Tudo pronto e lá fomos nós (um grupo de umas 12 pessoas) descer uma das estradas mais perigosas do mundo de bicicleta. Os primeiros 25 km foram no asfalto e tava muito frio. Se não me engano, pegamos 8°C. Nossos dedos pareciam ter congelado e chegava até a escorrer uma corisa involuntária do nariz (eca). Fizemos umas 3 ou 4 paradas para os guias irem checando como estávamos indo, se estava tudo bem e tal.

Eu estava indo bem, até que começou a chuviscar e meus cílios congelaram de leve. Nesse momento, eu já não sentia mais os dedos das mãos e os dos pés eu jurava que já tinha perdido. Aí que começou a fuder o baile de vez: crise de claustrofobia misturada com caganeira! PQP! Me deu vontade de tirar aquela roupa toda, mesmo com todo frio. Aquele capacete já tava me irritando e a dor de barriga começava a dar sinais de que tava ficando mais forte.

Decidi que não daria mais pra descer, pelo menos não aquela parte naquela hora, então, eu pedi pro guia se poderia ir um pouco na van pra tentar melhorar. Não que eu fosse cagar num saco e jogar pela janela, mas minha ideia era tomar mais do chá de folha de coca, tirar o capacete, aquecer minha mão e respirar fundo. A maioria das vezes que tenho claustrofobia eu consigo reverter me acalmando e respirando fundo (tirar o capacete ajudou muito também). A dor de barriga eu consegui controlar respirando bem fundo e rezando pra não pagar aquele mico ali, afinal, seriam 3 camadas de calça que teriam que ser jogadas fora, né?

O problema foi que os 8 minutos que fiquei dentro da van, eram os 8 minutos finais na parte de asfalto e acabei não voltando pra andar lá. Todos entraram na van também, os guias colocaram as bicicletas de volta no teto da van e seguimos mais um pedaço do asfalto de van até chegar no início da estrada de terra.

Eu já tava me sentindo bem melhor e pronta pra voltar pra adrenalina. Quando descemos da van, a temperatura tinha subido bastante e a gente até tirou um dos casacos. O nosso guia relembrou todas as orientações e pediu pra termos mais cautela nessa parte porquequalquer derrapada poderia ser fatal. Além disso, ele lembrou que nessa parte era preciso andar na esquerda com cuidado pra não dar de frente com os carros que vinham na outra direção e pediu que toda vez que fôssemos fazer uma ultrapassagem avisar/gritar por qual lado estávamos indo, pra evitar acidentes.

Ah! Muito importante. Ele pediu pra gente ter muito cuidado com os freios, porque se apertássemos com força poderíamos derrapar muito feio ou até capotar. Pediu pra gente ficar de olho nas pedras soltas e que teriam partes que era melhor nem usar o freio.

Todos prontos, começamos a descer e eu já vi que ficaria pra trás! Apesar de ser a mais empolgada pro passeio, eu tive problemas de entender a mecânica do donwhill no início e acabava não deixando fluir. Ficava freando e colocando o pé no chão toda hora. Deis umas boas derrapadas que conseguia ver meu coração saindo pela boca e voltando.

Todo mundo tava lá na frente, inclusive a Pate e a Elisa que eram as que estavam com mais medo. As duas deram um show de bravura e foram sentando o pau na velocidade e eu lá, quase que descendo da bicicleta pra ir empurrando. O meu problema foi que em vez de deixar a velocidade me guiar, eu ficava apertando o freio direto e a roda quase nem girava direito e quando girava pegava de tal forma numas pedras que eu derrapava.

Mas, eu não me forcei em nenhum momento a correr como as outras pessoas, fui no meu tempo. Tinha sempre um guia atrás de mim me ajudando e tal. Fizemos algumas paradas pra descanso, fotos e beber água. Conforme a gente ia andando eu ia ganhando mais confiança e pegando o jeito e o macete de fazer o downhill.

Fizemos uma parada pro lanche (incluso no pacote) que tinha banana, pão com queijo, chips, coca-cola, água e chocolate. Nessa parada já estávamos suando e tiramos mais uma camada de blusa. Continuamos descendo e conseguíamos avistar uma cachoeira no meio da estrada. Nos organizamos em fila indiana atrás de um grupo de outra empresa. Cada um tirou uma foto individual segurando a bicicleta embaixo da cachoeira e depois esperava o resto do grupo do outro lado pra uma foto coletiva.

Ah! Muito importante. Tenha muito cuidado com os freios, porque se você apertar com força pode derrapar muito feio ou até capotar.

 

Tiramos várias fotos e partimos pra continuar o trajeto. A essa altura eu já estava soltinha na pista, literalmente, já tinha entendido o macete de fazer downhill e aí é que ninguém me segurava mais. Eu desci direto sem usar o freio nenhuma vez, usando só a força do braço pra controlar o guidon e a posição do corpo pra controlar a bicicleta. Então, quando tinha muitas pedras, eu levantava a bunda e ia curvando meu corpo, segurando firme o guidon, sem apertar o freio. Quando eu via uma curva, abria levemente pra esquerda, dava uma apertada suave no freio antes da curva só pra diminuir a velocidade e continuava seguindo freneticamente com muito vento no meu rosto.

Sério! Eu tava me sentindo profissional. Tava super confiante e foi a partir do momento que eu ganhei confiança e me senti capaz de controlar a bicicleta em alta velocidade que de fato eu comecei a curtir o passeio e achar a parada realmente muito foda! Óbvio, que de vez em quando rolava umas derrapadinhas, mas nada demais.

Passamos por dois rios e eu curtia o passeio cada vez mais, até que teve uma parte que não era mais descida (90% do passeio é descida) e sim plana com uma leve subida (quase que imperceptível). Putz! Aí cansou a gente demais! O sol e o calor já tavam fritando a gente dentro daquela jaqueta (optamos por não tirar, porque aquela era nossa “proteção” caso a gente derrapasse) e ainda tivemos que fazer um esforço inesperado aí deu uma quebradinha na firma, mas logo passou essa parte chata e voltamos a descer loucamente.

Depois que passamos um dos rios, a gente tava descendo uma parte cheia de pedras que trepidava muito e minha gopobre acabou caindo sem eu nem perceber. Até que depois de uns 2 minutos sem ela no guidon, um menino me gritou e me devolveu. Maior sorte porque se ninguém tivesse visto ia ficar lá pra outra pessoa de presente, porque duvido que o guia voltaria comigo pra procurar uma parada que a gente não fazia ideia da onde tinha caído.

De vez em quando, rolava uns sustos com pessoas que nos ultrapassavam sem avisar da onde vinham e a gente quase se batia. Teve até uma vez que um menino zigoto foi me ultrapassar e disse direita (o que significava que ele estava indo pra minha direita), aí eu comecei a jogar minha bike pra esquerda pra deixar ele passar pela direita como ele mesmo tinha gritado e o zigoto me brota na esquerda! Que ódio! Eu gritei “esquerda, seu doente! Próxima vez fala direito.” A gente quase teve um acidente mega feio o que resultaria em uma possível morte, já que estávamos do lado de um precipício.

Vagner teve um imprevisto! O pneu dele furou e um dos guias trocou de bicicleta com ele pra ele não perder muito tempo esperando o guia consertar o pneu. O guia consertou o pneu, desceu normalmente e encontrou com a gente na metade do caminho. Depois de mais algumas paradas, seguimos mais alguns minutos até um barzinho onde foi nossa última parada. Tiramos os equipamentos e ficamos esperando os guias limparem as bikes pra colocarem em cima da van. Lá nesse barzinho a galera bebeu umas cervejas e a gente aproveitou pra relaxar um pouco, porque a bunda doía demais. Foram quase 4 horas de descida radical e emocionante.

Eis que começamos a ser atacados por mosquitos e ficamos cheios de mordidas bizarras. Elisa ficou com o tornozelo parecendo um campo minado de tantas bolinhas vermelhas inflamadas. Aí, um guia sentou com a gente e começou a nos contar várias histórias sobre a estrada da morte (quantas pessoas tinha morrido por lá, quais foram os acidente mais bizarros, porquê tinha esse nome…). Ah! Ele fez questão de nos contar que 2 israelenses tinham morrido nesse passeio duas semanas antes do nosso passeio. #medo

Quando ele acabou de contar todas as histórias, ele falou que quem quisesse contribuir com uma gorjetinha pra equipe podia ficar a vontade. Demos 5,00 bolivianos cada e entramos na van. Seguimos todos para os sítio com piscina onde seria servido nosso almoço buffet (incluso no pacote). O tempo já tinha virado de novo e não tava tanto calor assim pra ficar pulando em piscina, então, decidimos ir tomar banho logo e ir almoçar direto.

Tomamos um banho delícia bem frio e fomos logo comer. A comida tava bem gostosinha, mas acabou rápido. Ficamos lá no sítio mais ou menos 1h30 minutos (eu acho) e fomos pra van pra voltar pra La Paz. Tiramos uma foto com a blusa que ganhamos de presente no passeio e nos acomodamos pra seguir nosso rumo.

MACETE: Tente não usar os freios com frequência. Parece loucura, mas são os freios que na maioria das vezes provocam os acidentes nesse tipo de passeio, porque se você frear bruscamente pode capotar e se ficar freando toda hora você vai quase que o caminho todo derrapando e isso também é perigoso.
Deixe a velocidade te levar (parece maluquice, mas não é) e controle a bicicleta com os braços firmes e o corpo na curvatura certa. Não se preocupe, você vai pegar o jeito em algum momento do passeio. Eu mesma peguei o macete só no final (deviam faltar uns 20km pra acabar), mas aproveitei cada segundo da adrenalina.

 

A viagem de volta foi bem demorada, porque pegaríamos a estrada nova pra La Paz e não a mesma estrada que viemos (antiga). Saímos por volta das 15:30/16:00 e demorou quase uma vida, mas chegamos por volta das 19:15 em frente à Xtreme Downhill pra pegar nossos DVD’s com as fotos e vídeos do passeio. Ficamos esperando uns 15 minutos até gravarem todos os DVD’s. Enquanto isso, tentávamos acessar o wi-fi da agência que no dia anterior pegou super bem.

A moça disse que um cabo tinha sido cortado e que La Paz inteira tava sem internet. Óbvio que achamos que fosse mentira, mas tudo bem. Pegamos nossos DVD’s e fomos direto na agência do passeio do Chacaltaya + Valle de la Luna pra marcarmos o horário exato que a van buscaria a gente no hostel, mas pra nossa surpresa a agência estava fechada.

Fomos pro nosso hostel e tentamos ligar pro telefone que ela havia nos passado e falamos com a filha da moça que disse que iria confirmar com a mãe e nos dar um retorno. Enquanto isso, tentávamos acessar a internet no hall do hostel e nada. O moço que estava na recepção comentou a mesma coisa que a moça da agência do downhill. Já estávamos nos conformando de que ficaríamos aquela noite sem wi-fi, mas o problema era que precisávamos avisar nossas famílias que estava tudo bem, já que não seria muito legal fazer uma descida de bicicleta em uma das estradas mais perigosas do mundo e não dar notícias depois, né?

Decidimos ir ao mercado Lanza pra comprar biscoitos pro dia seguinte, já que o passeio do Chacaltaya + Valle de la Luna não tem paradas pra almoço e nem para lanches. Eu e Elisa compramos alguns biscoitos e deu 6,00 bolivianos pra cada e eu comprei um sabonete pra mim e paguei 7,00 bolivianos. Voltamos das compras e fomos direto pra um restaurante em frente ao nosso hostel pra jantar. Pedimos nosso prato favorito da viagem: pollo a la plancha e pagamos 42,00 bolivianos cada. Já no hostel, eu e Elisa dividimos uma água por 6,00 bolivianos cada.

Passamos na recepção pra ver se já tínhamos notícias do horário que a van nos buscaria no dia seguinte e o moço da recepção disse que eles passariam por lá às 8:20. Sem internet, só nos restava tomar um banho quente, arrumar nossas coisas pro dia seguinte e dormir. Eis que como um aviso dos céus, nós começamos a ouvir os barulhinhos das mensagens chegando no whatsapp e corremos pra ver se a internet tinha voltado.

Acreditam que às 23:30 a internet voltou e conseguimos avisar às nossas famílias que tinha dado tudo certo no downhill? Depois do dever cumprido e de uma conferida em todas as redes sociais fomos, de fato, dormir.

Essa experiência foi de fato uma das coisas mais perigosas que já fiz, mas uma das mais incríveis! Não tem como explicar a sensação que é fazer esse downhill numa das estradas mais perigosas do mundo!
Eu recomendo essa experiência a todos que estão indo à La Paz e que sabem andar de bicicleta! É perigoso sim, mas também é incrível. Você pode fazer a descida no seu tempo. Não precisa correr!
Meu conselho é: APENAS FAÇA! VOCÊ NÃO VAI SE ARREPENDER. JURO!

 

Obs: Algumas pessoas me perguntam se é perigoso fazer o downhill pra alguém que não tem experiência. Eu vou te falar que acho perigoso mesmo pra quem tem experiência, o que não significa que você não possa fazer. Como no meu caso, cada um faz no ritmo que se sente confiante. Ninguém vai ficar te apressando ou te forçando a nada. A experiência é incrível. Não tem como ir à La Paz e não fazer o passeio de downhill. Vá com cautela e com muito cuidado que tudo dará super certo e você se sentirá um vencedor (a) no final. Sério! Não deixe de fazer. Eu tive muito medo no começo, fui freando o caminho inteiro e depois de alguns km percorridos acabei me rendendo a adrenalina de descer sem freio, mas isso vem da confiança de cada um. Não deixe de fazer o passeio de downhill porque depois vai se arrepender. Esse foi, sem dúvida, um dos melhores passeios dos 23 dias de mochilão.

SALDO DO DIA:

– 50,00 bolivianos – Taxa local do Downhill
– 5,00 bolivianos – Gorjeta para os guias do Downhill
– 7,00 bolivianos – Sabonete
– 6,00 bolivianos – Biscoitos
– 42,00 bolivianos – Jantar
– 6,00 bolivianos – Água

TOTAL: 116,00 bolivianos

PRÓXIMO CAPÍTULO: (CAP.22) Chacaltaya + Valle de la Luna em La Paz

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Confira o Capítulo 20:

Chegada à caótica La Paz [Cap.20]

 

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  • Gessinho Lima

    AMEI ESSE RELATO! JA QUERO FAZER ESSA TRIP!

    • Vida Mochileira

      Oiii Gessinho!

      Você vai amar essa viagem! É simplesmente incrível!

  • Andy

    Nossa adorei esse relato,com certeza estará na minha lista do mochilão pela Bolívia, para ser sincero ja ouvi falar dessa estrada na TV e para minha surpresa fica pertinho de La Paz, quem diria os destinos mais incríveis do mundo estão mesmo aqui pela América do Sul.

    • Vida Mochileira

      Oii Andy!

      Sim! O passeio sai de La Paz!

      Vale super a pena! Você não vai se arrepender! Eu juro!

      Bjs

      Mary