Fernando de Noronha gastando pouco

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RELATO ESCRITO POR CAROL PALHARES

Quando falamos em Noronha, muita gente logo imagina ser um destino inalcançável. Eu também pensava assim, até que, em junho de 2016, fiquei 8 dias neste paraíso e pude comprovar que qualquer um pode ir pra lá sem precisar deixar os rins! 🙂

É fato que não é um dos destino mais baratos e, assim como a maioria dos lugares no nosso país (infelizmente), é mais barato conhecer algum destino internacional do que ficar por aqui. Mas, se conhecer Noronha é seu sonho, vem comigo que te ajudo a risca-la da sua bucket list!*

*Considere que todos os valores que informo aqui são referentes a 2016, ok? 😉

FERNANDO DE NORONHA GASTANDO POUCO

1. Quando ir a Fernando de Noronha?

Qualquer cidade turística brasileira fica naturalmente mais cara no verão, especialmente no réveillon e férias de Janeiro. Portanto, Noronha nessa época não é a melhor pedida para quem está com o orçamento baixo. A dica principal é ir na baixa temporada, naqueles meses que a maioria das pessoas não costuma tirar férias.

A boa notícia é que a ilha é boa para visitar durante o ano todo, em especial nos meses de Setembro e Outubro, quando o mar de dentro fica extremamente calmo, tornando as praias verdadeiras piscinas! Eu fui no fim de Junho, baixíssima temporada, o que empurrou os preços pra baixo (e, em conversa com amigos que foram em meses mais badalados, descobri que os preços ficam cerca de TRÊS VEZES maiores! =O). Mesmo que seja temporada de chuvas, elas costumam ser passageiras e o calor é sempre presente!

 

2. Taxas Ambientais em Fernando de Noronha

Tá aí o que vai consumir boa parte do seu orçamento (e dessa parte não tem como fugir). Todo mundo que entra na ilha precisa pagar antecipadamente a chamada TPA, a Taxa de Preservação Ambiental, que vai variar de acordo com a sua permanência por lá. É possível pagar pelo site (até dois dias úteis antes, muito mais prático, clique aqui) e apresentar o comprovante no desembarque, ou dá pra pagar por lá também – prepare-se para longas filas! Atualmente, o valor é de R$ 68,74 por dia, mas há uma leve redução a partir de 5 dias. Essa taxa é praticamente um visto: precisa informar o voo e local de hospedagem no formulário e também é preciso apresentar o comprovante de saída quando for embora!

Outra coisa é que também é necessário pagar uma taxa para acessar as praias, isso porque Noronha é um Parque Nacional Marinho protegido pelo ICMBio. Essa você pode pagar por lá mesmo, em um dos 3 PICs da cidade (na Praça Flamboyant, Sancho ou Sueste) ou no próprio ICMBio (fica do ladinho do Tamar). O valor atual para brasileiros é de R$ 99,00 (para estrangeiros é R$ 198,00), você vai receber um ingresso que vale por 10 dias e dá acesso às praias do Sancho, Sueste, Baia dos Golfinhos, Baia dos Porcos, Praia do Leão, Atalaia, e às trilhas dos Golfinhos, do Abreu, do Capim Açu, da Pontinha Pedra Alta, do Forte São Joaquim, do Morro São José, Ponta das Caracas e Caieira. Para mergulhar também é preciso portar o ingresso. Não me pediram o ingresso na primeira ida ao Sancho, mas pediram em todos os outros lugares e também para acessar o porto para mergulhar, então garanta o seu assim que chegar. Não é necessário apresentar o ingresso para acessar as praias urbanas – Cachorro, Meio, Conceição, Bode, Boldró, Americano e Cacimba do Padre.

“Se conhecer Noronha está nos seus planos e/ou se você ama praia, não deixe que seja apenas um sonho: se programe e vá pelo menos uma vez na vida!”

3. Aéreo + hospedagem em Fernando de Noronha

Eu adoro e prefiro planejar minhas viagens por conta própria, não sou fã de pacotes. Mas, diferente do que a gente espera, compensa comprar um pacote para ir pra Noronha, isso porque não é possível entrar na ilha sem ter uma hospedagem reservada (é preciso apresentar o comprovante no desembarque), então as agências de viagens fecham parcerias com as pousadas e acabam vendendo o “combo” aéreo + pousada, de quebra você leva o receptivo junto (já é uma economia no táxi de ida e volta para o aeroporto!). Tem a opção de reservar a pousada diretamente também, mas não compensa: a pousada que ficamos custava R$ 400,00 a diária na época, o valor total do nosso pacote saiu menor do que os 8 dias de estadia se reservássemos por conta própria! Só é preciso ter em mente que a hospedagem mais comum por lá são as hospedarias domiciliares, opções simples, MUITO simples! Estas nada mais são do que as casas dos moradores, que cedem alguns quartos para os turistas e oferecem café da manhã.

O ponto negativo do pacote é que a sua hospedaria vai ser definida na base da loteria, então você pode pegar uma muito boa ou uma mais, digamos, “complicada”. Eu tive sorte de ficar em uma casinha super lindinha na Vila dos Remédios, pertinho da Praça Flamboyant (ou seja, melhor localização possível!) e a dona era simplesmente maravilhosa (saudades eternas, dona Marcia <3). Não há nenhum hostel por lá.

 

4. Refeições em Fernando de Noronha

Comida na ilha é o item mais caro de todos, pois a logística para levar qualquer coisa pra lá é bem complicada (avião e/ou barco), então até os locais pagam alto pelos itens! Caso ter uma experiência gastronômica não seja seu foco (assim como não era o meu), dá pra economizar ao máximo neste quesito comendo em self service, tapioca (a mais famosa é a Tapioca da Babalu, na praia do Cachorro) e tomando açaí, além das pizzas e restaurantes simplesinhos que estão na Praça Flamboyant. Fazendo assim, dá pra manter uma média de R$ 50,00/dia.

Exceção: festival gastronômico do Zé Maria – a pousada mais famosa da ilha já virou atração turística e o festival é super tradicional. Comida maravilhosa, ambiente descontraído e muito divertido! É caro (em 2016 custou R$ 190 por pessoa), mas vale cada centavo! Segura nas cervejas e investe nesse que vale a pena! Toda quarta e sábado, reserve com uma semana de antecedência porque é muito disputado.

Fui na última semana de junho e peguei a festa de São Pedro, que é o padroeiro da ilha. Neste dia há uma tradição de distribuir peixada e bebida pra todo mundo e isso foi uma grata surpresa: comemos um prato enorme, super bem servido, com uma latinha de refrigerante (da sua preferência), e não pagamos absolutamente nada por isso! 🙂

Dica bônus: compre um squeeze do Parnamar. A garrafa de água na ilha custa por volta de R$ 5,00 por 500 ml (comprando no mercado), porém o Parnamar tem uma ação onde, comprando um squeeze, você ganha duas recargas (significa que eles enchem sua garrafinha duas vezes) e depois paga apenas R$ 3,00. O squeeze de 700 ml custou R$ 10,00 e valeu super a pena! Acredite, você vai tomar MUITA água por lá! Vale se informar sobre onde estão sendo feitas as recargas.

5. O que fazer em Fernando de Noronha?

Noronha não é um destino noturno, suas melhores atrações acontecem na luz do sol! Há um barzinho na praia do Cachorro, o Bar do Cachorro, que é a única balada da ilha, toca forró e as comidinhas não são caras. Também tem o bar no Mirante do Forte do Boldró, perfeito para ver o pôr do sol – toca música ao vivo e o ambiente tem uma vibe muito boa!

As agências locais oferecem diversas opções de passeios, assim como o aluguel de buggy é oferecido na ilha inteira (na baixa temporada de 2016, o preço era de R$ 150,00 pelo dia todo). Dentre os passeios mais famosos estão:

– Ilhatur: passeio de buggy ou 4×4 que percorre os principais pontos da ilha. Caso você tenha menos que 4 dias na Ilha pode ser interessante, pois é possível ter uma visão geral e voltar pra onde mais gostou. A partir de 5 dias, não acho que compensa pois, como você vai ver mais abaixo, é possível percorrer os mesmos lugares de ônibus – e no seu tempo, sem correria típica de passeio em grupo. Valor: em torno de R$ 180,00/pessoa.

– Barco: Percorre a ilha de ponta a ponta por todo o mar de dentro, visita desde as ilhas secundárias até a Ponta da Sapata e para por 40 minutos para snorkel no Sancho. Recomendo: te dá uma outra visão da ilha e é possível ver muitos muitos muitos golfinhos! <3 Valor: em torno de R$ 130,00/pessoa.

– Entardecer Noronha: passeio de barco no fim do dia, para ver o por do sol. Tem comida e bebida inclusos. Valor: em torno de R$ 170,00/pessoa.

– Aquasub: uma pranchinha presa em um barco que “reboca” as pessoas pelo mar. Valor: em torno de R$ 190,00/pessoa.

– Mergulho com cilindro: Noronha é um dos 10 melhores pontos de mergulho do mundo, a visibilidade chega em 50 metros (20 em dias “ruins”), então é MUST DO! Recomendado até para quem não sabe nadar, é muito seguro e o instrutor segura sua mão o tempo todo. Dá pra ver diferentes peixes, tubarões, arraias, tartarugas. Duração de 30 minutos. Recomendo a empresa Águas Claras (fica perto do Tamar). O preço dói no coração: R$ 460,00/pessoa (ouch!).

– Trilhas: pra quem gosta de trilhas, a ilha oferece diversas opções, totalmente gratuitas. Para algumas é preciso fazer agendamento prévio no ICMBio (por exemplo a do Atalaia, que depende da maré. Tente agendar um horário assim que chegar).

Eu fiz o passeio de barco e o mergulho com cilindro, apenas! A dica de ouro é: caminhe, caminhe, caminhe! E dá pra fazer tudo usando apenas transporte público! Há um único ônibus na ilha, que vai até o Sueste e volta para o Porto, e passa na única estrada da ilha, que curiosamente também é a menor BR do país (ela fica bem no meio da ilha, então é impossível se perder). Pagando apenas a passagem (em 2016 custava R$ 3,60), você consegue parar em qualquer uma das praias, basta pedir para o motorista te avisar. Muitos lugares também são facilmente acessíveis na caminhada, dependendo de onde você estiver hospedado. Então já sabe: o combo ônibus + disposição para caminhar vai te levar pra ilha inteira e te economizar muitossss Reais! 🙂

Nas praias mais famosas (as do Parnamar) é possível alugar snorkel, óculos e colete. Por conta da incrível transparência da água, mergulhar com snorkel será uma das coisas que você mais vai fazer por lá! Leve seus próprios equipamentos e economize cerca de R$ 30,00 por dia, que é a média do valor pelos equipamentos o dia todo – já paga seu almoço 😉

Ok, mas e o custo final?

Fiquei na ilha por 8 dias, o que considero mais do que suficiente – 6 dias é o ideal, tente não ficar menos que isso! De maneira geral, os gastos com passeios, refeições, comprinhas, taxa das praias e umas cervejas e sorvetes esporádicos foram de R$ 120,00/dia. Nessa conta não estão o mergulho e nem a TPA, que paguei a parte – nem o pacote, obviamente! É possível economizar mais, diria que dá pra chegar em R$ 90,00/dia! Meu custo total foi de R$ 5.000,00. Considerando que as minhas pesquisas diziam R$ 10.000,00 para 5 dias, acho que me dei bem! 🙂

Espero que tenha conseguido te mostrar que, apesar de ainda não ser extremamente barato, tendo planejamento dá sim pra visitar Noronha! Com certeza ainda está longe de ser um destino muito acessível, principalmente se considerarmos que com este mesmo budget conseguimos passar mais dias em destinos da Ásia ou da América do Sul, por exemplo. Mas se conhecer Noronha está nos seus planos e/ou se você ama praia, não deixe que seja apenas um sonho: se programe e vá pelo menos uma vez na vida – garanto que vai valer cada centavo gasto nessa experiência incrível e inesquecível! 🙂

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Mary falando: Eu tô simplesmente apaixonada por Noronha sem nem ter pisado lá ainda (sou dessas que começa a sonhar com o destino e já me imaginar nele)! Achei o relato da Carol tão incrível que fez eu colocar Noronha na frente de outros destinos que tão na minha bucket list!

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Beijos e até a próxima!

 

Carol Palhares

Quando criança sonhava em ser astronauta só pra poder ver a Terra por cima. Adora viajar sozinha, tem um mapa mundi tatuado nas costas e nutre um amor louco pelo Sudeste Asiático. Tem medo de avião, mas trabalha programando as próximas férias!

Instagram: @carol_palhares

 

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