Como é a Oktoberfest de Blumenau | Escrito por Laura Pinheiro

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Oi pessoal!

Sou Laura Pinheiro, belo-horizontina, apaixonada pelas estradas desse mundão de meu Deus!

Acompanho o blog há pouco tempo, mas já sinto vontade de participar de alguma forma. Gostaria de dividir com vocês uma vivência incrível que eu tive, para assim quem sabe inspirar outras pessoas também!

Aproveitei o feriado de Outubro para descer para Blumenau e participar da Oktoberfest brasileira, a segunda maior festa deste tipo no mundo (brasileiro gosta muito de festa e cerveja, mas realmente não consegue superar a original alemã, né?!). Aos poucos vou contando um pouco as curiosidades e histórias que fui aprendendo no decorrer desses poucos dias, porém muito intensos!

O sul do Brasil em geral, como todos sabemos, tem uma influência muito forte alemã, consequência da sua colonização. Essa influência vem desde o físico das pessoas (descendência direta alemã), personalidades (o pouco que convivi percebi diferenças na maneira como puxam assunto, como interagem com a gente), e principalmente culturais (que eu vou ressaltar mais aqui). A cidade de Blumenau tem uma arquitetura que lembra muito as cidades alemãs, e que sempre faz referência também.

Na cidade toda podemos ver fachadas que relembram as antigas casas coloniais, algumas originais até hoje e tombadas como Patrimônio Histórico, mostrando pra gente que a tradição local permanece forte, mesmo com todo o progresso ao longo dos anos!

Além das fachadas dos prédios, os nomes dos estabelecimentos também sofrem influência direta da cultura alemã! Muitos nomes de lojas, hotéis, e até mesmo dos produtos comercializados, não são em português!

E por falar em tradição, é aí que começa os nossos festejos: pelas ruas da cidade! As principais ruas ficam fechadas em horários específicos para que ocorra o desfile! Momento muito esperado por todos e foi nele que percebi como a cultura alemã permanece viva e passando por várias gerações. Nele participam desde nenéns puxados em um carrinho que lembra uma carrocinha, jovens, adultos e até idosos. Todos muito orgulhosos compartilhando com a gente um pouco do que vivem lá!

Vale a pena conferir a programação e ir aos desfiles! Eles acontecem na rua, portanto são gratuitos, e acontece muita distribuição de cerveja para o público presente! Basta ficar na frente com a caneca esticada! Costumam acontecer na rua XV de Novembro, bem no centro histórico de Blumenau, toda Quarta e Sábado, até mesmo nos dias de chuva.

Agora depois de dar uma voltinha na cidade, conhecer o centro histórico, olhar umas coisinhas nas lojinhas…. Hora de partir para a festa!

A festa acontece na Vila Germânica, um lugar muito grande e – atenção! – muito fácil de se separar de seus amigos! 

 

“Mas Laura, o que devo vestir?” 

Primeiramente, roupas confortáveis! Apesar de lá ter muito lugar pra sentar, mesas para todos os lados, você acaba passando a maior parte do tempo em pé! Primeiro porque tem tanta coisa acontecendo ao seu redor que você acaba querendo ficar de pé, andar e participar da festa. Segundo que a festa é muito grande, estamos falando de números que chegam a passar de 67 mil pessoas em um dia só de festa! Portanto, às vezes, acontece de na hora que você mais precise sentar, demore um pouco para conseguir achar um lugar.

Vocês devem ter reparado no vestido que estou usando nas fotos…. Existe a cultura de usar os trajes típicos também!

Os nomes originais são Dirndl para o feminino e Lederhorsen para o masculino…. Mas como gostamos de simplificar mais ainda as coisas, principalmente quando não falamos nada de alemão, damos apelidinhos. As mulheres são carinhosamente chamadas de Frida e os homens de Fritz, portanto as roupas são: vestidos de Frida e roupas de Fritz.

A roupa feminina trata de um vestido, podendo ser longo ou curto, com detalhes principalmente em renda. Possui o recorte do busto e é usado com uma blusa estilo ciganinha. Pode ter um avental na frente, porém essa parte é opcional. As meias são até a altura do joelho e costumam ser de tricô, e os sapatos fechados (tênis não é considerado um sapato fechado).

Outra opção de modelo é a bermuda estilo Lederhorse com suspensório. Originalmente é masculina, porém estamos em 2017, né mores?!

Como acessórios, podemos usar tiaras floridas ou o chapéu, e o lenço.

As roupas de Fritz são, em geral, estilo jardineira: uma bermuda, com os botões, braguilha (essa aba na frente) e bordados, acompanhado de um suspensório. As meias também devem ser até a altura do joelho, normalmente feitas de tricô, com sapatos fechados (tênis não é considerado um sapato fechado).

Como acessórios, podem usar o chapéu, lenço e até mesmo um colete.

“E Laura, é muito caro entrar na festa?” Não, nem um pouco! Existem dias em que a entrada é gratuita, nesse ano foram nos dias de abertura, encerramento, e nas segundas-feiras. Nos outros dias os ingressos variavam de R$12 a R$40. Existe meia entrada para jovens menores de 18 anos, estudantes, jovens de baixa renda, professores, pessoas com 60 anos ou mais, pessoas com deficiência e acompanhante e doadores de sangue, tudo conforme as leis, que também podem ser consultadas no próprio site da festa. Os respectivos documentos são cobrados e conferidos na entrada, portanto tenha tudo em mãos para facilitar!

Caso esteja usando o traje típico de acordo com as especificações, você consegue entrar pagando meia entrada ou até mesmo de graça, dependendo do dia. Você também pode conferir todas as especificações no próprio site da Oktoberfest, porém não se assuste! Eles colocam muitas regras, porém na hora não são tão rígidos.

Além do mais, você ainda consegue entrar de graça na festa, e nem é difícil! Você não precisa ter contatos, e nem ser convidado especial, muito menos ser famoso! A cobrança de ingressos começa em um horário determinado, que pode ser consultado no site da Oktoberfest. Este ano, por exemplo, a cobrança de ingressos começava às 13hrs ou às 18hrs, dependendo do dia. Antes disso, a entrada na Vila Germânica era gratuita!

Visite o site da festa: http://www.oktoberfestblumenau.com.br/

 

Desejo a todos que forem, muitos “barril” de chopp, porque não importa a quantidade, é muito pouco pra nós!

 

“Laura, entrei. E agora?!” 

AGORA É CURTIR!

O espaço da festa é enorme, então minha primeira dica é dar uma volta para conhecer.

O espaço aberto da festa conta com as lojas de roupas, canecos, entre outros souveniers. Minha dica é procurar fora das lojas. Este ano encontrei por acaso, na entrada do Pavilhão B, duas bancadas muito interessantes. A primeira era do Clube de Mães, as Andorinhas, que tinha trajes típicos maravilhosos e muito mais baratos que nas lojas, e ao lado uma bancada que não peguei o nome, mas que estava vendendo canecas de metal também bem mais baratas que nas lojas, e com o desenhos bem mais bonitos! Então, o importante mesmo é circular e conhecer antes de comprar!

Ainda do lado de fora encontramos a praça de alimentação. Você encontra muita opção com pouca variação de preços! Eu comi uma batata recheada (R$22), primeiro porque gosto e também achei mais fácil de comer naquele momento. Mas, você também encontra algumas opções de bretzel (R$15), Chucrute (R$3), Cuca (R$13), Hambúrguer (R$22), entre várias outras opções. É preciso apenas ficar atento aos horários de funcionamento, lá dentro existe a opção de restaurantes (mais procurados para almoço, com espaço para mesas e servindo pratos a la carte) e das lanchonetes (mais procurados a noite, onde você compra mais em porção individual e senta nas mesas do pavilhão).

O espaço coberto da festa é dividido em 3 grandes setores, cada um com um palco diferente. Como eu nunca sabia em qual setor eu estava, sempre marcava pelo teto (as decorações são diferentes, um tinha um teto com luzes e nuvens, outro tinha o teto com as cores da bandeira da Alemanha, e outro tinha um teto azul), e assim eu marcava onde estavam os banheiros menos movimentados, onde eu tinha pego aquele chopp que eu tinha gostado etc…

A principal patrocinadora da festa é a Eisenbahn, portanto é a que você mais vê pelos pavilhões. Porém, a festa conta com outros patrocinadores, como Baden Baden e Schin. No espaço você ainda conta com outras cervejarias artesanais, como a Blumenau, Bierland e Das Bier, todas com várias opções de cervejas.

Os chops também tem pouca variação de preço, indo de R$7 (Pilsen Schin), R$9 (Pilsen) e R$10 (Especiais). Lá dentro você também pode encontrar cervejas sem glúten, cervejas sem álcool, água e refrigerante.

Fique atento às diferentes opções e pergunte aos atendentes sobre as cervejas, eles estão sempre bem informados e dispostos a te atender! Provei alguns chopps incríveis, como por exemplo um com Anis Estrelado e Gengibre, e outro com IBU 65%! Aqui é o lugar para experimentar, com diversas opções de diversas marcas em um só lugar!

Para comprar o chopp ou a comida é preciso ir até o caixa e comprar as fichas. O pagamento não é realizado direto no balcão! Minha dica é já comprar várias fichas de uma vez para assim evitar de pegar filas muito grandes, ou de ficar enfrentando a fila várias vezes no dia.

O caixa aceita cartão de débito e crédito, porém indico levarem dinheiro mesmo! Nos dias mais cheios o sinal das maquininhas de cartão caíram e só estavam aceitando o pagamento em dinheiro. No fim do dia, dinheiro não tem erro!

Dentro do pavilhão você também encontra a competição de chope em metro! As competições acontecem todas as noites e são gratuitas, podendo o vencedor levar uma medalha de lembrança! O chope de metro contém 600ml e a cerveja utilizada é sem alcool, permitindo assim a participação de todos!

Mas, como não só de cerveja vive uma festa tradicional, dentro dos pavilhões encontramos outras atrações, como a competição de Fritz e Frida (onde os trajes mais bonitos são escolhidos), apresentações de clubes folclóricos (a tradição vive forte!) e bancadas de clubes de tiro e caça (onde você pode praticar a sua mira no alvo).

A Vila Germânica também conta com um parque de diversões com acesso por dentro da festa!

 

Todos deveriam participar da Oktoberfest de Blumenau pelo menos uma vez na vida!

 

É muito clichê depois de um grande evento dizer isso, mas o sentimento é real: todos deveriam participar da Oktoberfest de Blumenau pelo menos uma vez na vida! 

A maior festa alemã do Brasil realizou no ano de 2017 a sua 34ª edição, uma festa maravilhosa e super bem organizada! Quem diria que um evento que surgiu em 1984 como uma alternativa para levantar a cidade depois de um desastre natural se tornaria um grande símbolo e principal movimentador turístico não só da cidade, mas de toda a região!

Aos que pensam em se aventurar nessa festa maravilhosa, eu digo: Não perca essa oportunidade! Desejo a todos que forem, muitos “barril” de chopp, porque não importa a quantidade, é muito pouco pra nós!

Muita atenção ao coleguinha do lado! Estamos todos ali pra curtir a festa e educação, respeito e consentimento nunca é demais! Embriaguez não é desculpa!

E em meio a tanto álcool eu não poderia deixar de dizer: Se for beber, não vá dirigindo! Existem várias linhas de ônibus que passam ali perto, além da fila enorme de táxi e a opção de cerveja sem álcool lá dentro! Não tem desculpa!

Espero que tenha curtido essa dica! Se você gostou do post e já tá planejando ir na Oktoberfest desse ano, já manda o link por amigos e já começa a organizar essa bagunça do bem!

Beijos e até a próxima.

 

LAURA PINHEIRO
Mineirinha apaixonada pelas estradas desse nosso Brasil! Couchsurfer que busca conhecer sempre coisas novas, mas também não descarta novos olhares sobre o velho. Adora uma conversa leve e uma curiosidade que sua avó te contou algum dia desses pra trás da praça da sua cidade.
Instagram:@lauragpinheiro