Até onde você vai? E até onde você pode ir?

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Hoje eu não vim compartilhar com você dicas de viagem ou coisas que você precisa levar na mala. Eu vim compartilhar algo muito maior, vim compartilhar o que a viagem me trouxe além de fotos, cultura e amigos. Hoje eu vim compartilhar uma vivência que me ensinou muito sobre mim mesma e muito sobre a capacidade que nós temos de nos superar!

Em 2017 eu fiz uma viagem sozinha ao Porto (Portugal), pra visitar minhas primas portuguesas, mas também pra ficar comigo mesma, pra fazer coisas que eu não tinha planejado (seria minha primeira viagem sem fazer roteiros ou pesquisar nada) e, é claro, pra sentir a liberdade de viajar sozinha – que é uma das melhores experiências da vida! Eu amo viajar sozinha, apesar de isso ser menos frequente já que agora viajo muito com meu namorado! No entanto, sempre que tenho a oportunidade tento fazer alguma viagem sozinha, mesmo que pequena porque acho que é muito libertador mesmo.

Nessa foto estão 4 nacionalidades diferentes (Brasil, Estados Unidos, Hungria e Lituânia) e num canto que não teve ângulo na foto estavam outras 3 nacionalidades (México, Bélgica e Portugal)! Nós éramos 7 pessoas com histórias diferentes, mas unidos pela mesma paixão: viver!

Conheci todas essas pessoas durante a viagem, algumas eu conheci num free walking tour e outras eu conheci na aula de surf que me aventurei a fazer pela primeira vez na vida em águas portuguesas! Mas, vamos voltar a falar dessa foto, porque ela tem um significado muito especial pra mim, apesar de não ter paisagem nenhuma!

Decidimos numa conversa em tom de brincadeira que iríamos pular da ponte mais famosa do Porto, que tinha, no mínimo, 14 metros de altura! Até então todos estavam falando que iam pular com uma cara de verdade absoluta. Até o americano tomar a inciativa e se dirigir até a beira da ponte! Olhando de baixo pra cima ela nem parecia ser muito alta, então disse que eu pularia também! No total, 4 pessoas falaram que iam pular: eu, o americano, o húngaro e a menina da Lituânia.

Chegando lá em cima e olhando pra baixo, aquela merda era alta pra caraca e eu peidei na farofa! Meu medo de “pode dar merda” falou mais alto e me privei daquela experiência, afinal, vai que eu quebro a perna ou morro, né? Não só eu, mas o húngaro e a menina da Lituânia também deram pra trás e desistiram.

Já o americano começou com um discurso de que ele nunca desistia de algo que ele prometia a ele mesmo porque era falta de comprometimento com seus próprios desejos. Eu concordava plenamente, porque sentia de fato aquilo dentro de mim, mas ele conseguiu externar meus pensamentos de forma brilhante. Ele também falou que quando a gente tem o impulso de querer fazer alguma coisa, geralmente essa vontade é real e vem do nosso espírito aventureiro, afinal quem realmente tinha medo não falaria que iria fazer algo num impulso.

Só as pessoas que realmente estão dispostas a fazer algo dizem que vão fazer e quando não fazem é porque se deixam levar por influências externas que acabam influenciando seus desejos ou porque começam a pensar demais e colocar muitos obstáculos em algo que num primeiro momento parecia fácil – e muitas vezes é. Ouvir os outros constantemente e pensar demais são duas coisas que matam, aos poucos, o espírito de quem quer viver livre e intensamente.

Aquele sentimento de incapacidade e medo me destruiu mais do que se eu tivesse eventualmente quebrado a perna ao pular da ponte, eu tava mostrando que eu era fraca!

Como assim eu tava decidida a pular e desisti?

– Por que eu desisti?

– O meu medo de morrer é maior do que o meu medo de viver? Desde quando eu mudei meu pensamento? Eu sempre amei viver intensamente.

– Eu sou do tipo de pessoa que desiste fácil?

– Eu não me comprometo com os meus próprios desejos?

Essas e dezenas de outras perguntas começaram a pipocar na minha cabeça e deixar meu coração apertado. O americano decidiu pular sozinho! E quando ele pulou eu me libertei junto com aquele “JUMP” que ele gritava!

Corri no rio, mal esperando ele acabar de nada contra a corrente depois do pulo e perguntei: Você pula comigo de novo? Ele sorriu e disse que eu ia desistir de novo! Eu disse que não! Que dessa vez eu ia pular sim! E ainda arrastei o húngaro e a menina da Lituânia pra pularem comigo porque eu achava que aquela experiência era pra ser vivida em grupo e porque eu acreditava que a gente devia cobrar de nós mesmos aquele comprometimento com nossos desejos!

Lá fomos nós! 4 estrangeiros agarrados na ponte e aí começou a juntar um bando de turista pra tirar nossa foto e ver a merda que a gente tava fazendo (inclusive a foto foi tirada por um desses turistas que depois mandou pra gente por email)!

Essa foto é especial pra mim porque mostra exatamente o momento que eu me libertei do medo de viver!

Meu coração nunca bateu tão forte e tão rápido em toda minha vida – e olha que eu já pulei de paraquedas hein. Eu nunca tremi tanto de medo como tremia naquele momento vendo os 14 metros (no mínimo) abaixo de mim! Foi até que eu comecei a conversar comigo mesma em meio aquelas vozes que gritavam “pula, pula, pula”!

Eu olhava pra frente, olhava pra baixo, olhava pros lados e olhava pras minhas pernas e mãos tremendo e falava pra mim mesma: Você consegue! Respira fundo e imagina o quanto o seu eu do passado que desistiu vai ser grata e orgulhosa do seu eu do futuro que pulou. Você é forte! Você é corajosa! Você NÃO é fraca! Mostra pra eles que você consegue, mas ai eu parei e pensei: Eles? Quem são eles?

Nunca vi e nem vou ver de novo nenhuma daquelas pessoas que torciam pra gente pular logo! Vou pular por mim e pra mostrar pra mim mesma que eu sou capaz de qualquer coisa, quando eu acredito que posso! Mesmo que essa coisa seja “voar” por nem 5 segundos e cair num rio onde a correnteza me levaria pro lado oposto!

Eu sabia que a parte de nadar contra a corrente não seria problema, que a única coisa que me segurava já não era mais o medo de algo acontecer, mas sim o medo de eu deixar os meus anseios falarem mais alto que a minha vontade de viver intensamente, foi então que me vi lentamente, tremendo que nem um bambu, largar as mãos da ponte pra olhar pro lado e ver aquela multidão de pessoas que faziam contagem regressiva: (…) 5,4,3,2,1… Jump (pula)!

E naquele momento eu só pensava: Você é mais forte do que você pensa! Pula!!!

E foi com essa vivência que eu vivi uma das maiores adrenalinas da minha vida e criei laços lindos com as pessoas que viveram a mesma experiência comigo! Depois do pulo, todos nós nos abraçamos e fomos comemorar bebendo de frente pra tal ponte que já não me assustava mais!

E você? Até onde você vai? E até onde você pode ir?

OBSERVAÇÃO: É importante ressaltar que eu não tô dizendo que todo mundo tem que pular de um ponte alta pra perder seus medos ou arriscar a vida pra se sentir vivo. É importante ter noção da onde vem seus medos e se esses medos são realmente seus ou se são medos de outras pessoas que acabam influenciando as suas decisões.

É importante sentir medo, o medo é o que faz a gente estar alerta às situações de risco ou perigo, mas o que eu tento mostrar com essa história é que você não pode deixar o seu medo falar mais alto que a sua vontade de agir. Se o medo for consistente, tá tudo bem entender que é preciso tomar outro caminho, mas se o medo for só um alerta, avalie a situação e tome a decisão que você achar mais sábia pra você naquele momento.

Estados Unidos, Brasil, Hungria e Lituânia

OBSERVAÇÃO 2: Antes da gente pular dessa ponte, perguntamos para um menino local os riscos e o perigo do salto. Ele nos disse que as crianças pulavam o tempo todo dessa ponte pra ganhar uns trocados dos turistas. Ele disse também que se machucou uma vez porque caiu errado na água. Nós sabíamos dos riscos que estávamos correndo, mas decidimos pular porque gostamos de adrenalina. Eu machuquei um pouco a minha bunda porque foi a primeira coisa que bateu na água, o americano queria pular pela terceira vez, o húngaro não sofreu nada e a menina da Lituânia machucou uma parte do braço porquei caiu da água de braços abertos.

Nós sabemos dos riscos de pular de uma ponte, mas pulamos. Assim, como a gente sabe dos riscos de pular de paraquedas e também pulamos e dos riscos de descer o downhill na estrada da morte na Bolívia e também descemos, mas não é todo mundo que gosta desse tipo de adrenalina e tá tudo bem também, até porque essa história não é pra motivar as pessoas a pularem de pontes ou arriscarem a vida, essa história é pra falar sobre superação dos medos, sejam eles quais forem os seus.

Espero que esse post te ajude a vencer os seus medos e também te ajude a encontrar os momentos que te fazem se sentir vivo de verdade! A vida é feita de momentos especiais que definem quem nós somos a partir das atitudes que tomamos em relação à forma como queremos viver e, por que não, a forma como queremos ser lembrados.

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Beijos e até a próxima.

Mary

 

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  • andre

    Ótimo texto Mary, como sempre nos fazendo refletir !!!! Parabéns pelo blog está ótimo e as postagens estão cada vez melhores!!!! 😀

    • Vida Mochileira

      Oi André! Muito obrigada pelo feedback! Fico feliz que esteja curtindo.

      Bjs

      Mary