Passeio em Tiwanaku e tatuagem na Bolívia [Cap.24]

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[T-U-D-O MESMO = $1.900,00 dólares]
[Você pode ler esse relato ao som de Treasure]



CAP.24: Passeio em Tiwanaku e tatuagem na Bolívia
23/4/2016

A noite foi bem tranquila pra mim. Dormi que nem uma princesa, apesar da Elisa ter dito que não conseguiu dormir direito por causa dos meninos no nosso quarto. Acordamos às 7:00 e nos arrumamos, porque a van estava marcada pra nos pegar às 8:20 no hostel. Como nós iríamos trocar de quarto naquela noite pra um quarto de 20 pessoas, deveríamos fazer o check-out do quarto que estávamos, guardar os mochilões na sala de bagagem e fazer check-in no novo quarto quando voltássemos do passeio.

Tudo certo. Café da manhã tomado, mochilões guardados e nós estávamos prontinhas só aguardando o guia nos chamar na recepção do hostel quando ouvimos de uma voz conhecida: Elsa e Mayara. A princípio a gente não quis acreditar no que estava acontecendo, mas pro nosso azar o guia do passeio do Tiwanaku era o mesmo do passeio do Chacaltaya. PQP!

Eu já não tava muito animada pra aquele passeio, porque não sou muito fã de museus e coisas históricas (curto mais paisagens), mas como Elisa tava super animada decidi fazer o passeio com ela, até porque ela ficou me mostrando várias fotos do sítio arqueológico de Tiwanaku e parecia até ser interessante. Mas, no momento em que vi o guia preguiçoso do Chacaltaya, todo meu sopro de animação foi por água abaixo.

Eu e Elisa já ficamos desanimadas e o passeio nem tinha começado. Nós ainda tentamos ser positivas e pensar que talvez ele estivesse num mau dia ontem, que talvez hoje ele fosse dar um show de explicações, mas não foi bem assim que aconteceu. Rs

Entramos no ônibus e ele foi dando algumas informações sobre o passeio. Como o almoço estava incluso no pacote, nós deveríamos escolher um dos pratos que ele nos apresentou, porque ele iria mandar a relação pro restaurante e assim que chegássemos lá a nossa comida já estaria pronta.

Ele deu o recado dele, passou de cadeira em cadeira fazendo a relação da comida de cada um, sentou na cadeirinha dele e COCHILOU! Caracaaa que vontade de levantar e gritar no ouvido dele: ACORDAAAAA! Pode até não ter nada pra dizer, mas eu acho uma falta de respeito você pagar um guia e ele dormir. Eu hein!

Eu e Elisa fomos olhando a paisagem, cochilamos um pouco, ouvimos música e depois de 2 horas, finalmente, chegamos ao sítio arqueológico de Tiwanaku. Ele pediu pra gente descer do ônibus e esperar ele em frente ao museu. Levamos nossas mochilas de ataque com a gente e ficamos lá esperando o guia que tinha ido estacionar o ônibus com motorista, não sei por quê.

O guia chegou e entramos no museu (nossa entrada estava inclusa no pacote, mas pra quem paga a parte, a entrada custa 80,00 bolivianos). Essa parte foi bem chata, apesar dos artefatos serem interessantes, mas o guia não ajudava nenhum pouco com a falta de animação dele pra contar as histórias e as curiosidades do local.

Saímos do museu e fomos em direção às ruínas de Tiwanaku, uma parte ao ar livre, com portais, pedras, calendários naturais e “estátuas” de pedra – tudo original. O guia deu uma explicação meio que superficial e seguimos todo sítio arqueológico dessa forma.

Voltamos e fomos num segundo museu ainda dentro das imediações de Tiwanaku e nesse tinha um “totem” gigante de pedra com mais de 50 metros de altura. Nessa parte o guia não falou nem 5 minutos e dos deu um tempinho pra explorar o local. Caraaaaa! A gente nem conseguiu ver tudo e o maluco já mandou a gente voltar pro ônibus. Como ele não explicou nada direito, a gente tava lendo nos murais sobre a história do totem gigante, que parecia ser bem interessante.

Sobre o passeio: Se você curte museus e coisas históricas, talvez, valha a pena visitar Tiwanaku e entender mais sobre a história e a cultura desse lugar, mas só se for com um guia muito bom, porque senão, vai sentir que jogou seu dinheiro no lixo.

 
De lá seguimos mais 20 minutos até o restaurante onde seria servido o nosso almoço. Sentamos e a comida tava bem farta. De entrada tivemos uma sopa maravilhosa e eu comi uma truta sensacional de prato principal e a Elisa comeu carne de Alpaca. Tinha ainda uma mesa com batata frita, salada, arroz e macarrão pra gente se servir a vontade. Após a comida, veio a sobremesa que foi banana com yougurte de mamão, que tava muito bom.

Todo mundo de estômago cheio e enquanto esperávamos o motorista do ônibus, eu e Elisa compramos alguns artesanatos de lembranças pra família (paguei 5,00 bolivianos num artesanato feito em pedra). Seguimos viagem pra um último sítio arqueológico fora de Tiwanaku, onde ficamos uns 15 minutinhos e voltamos pra La Paz.

Chegamos em La Paz por volta das 16:30 e fomos direto às compras, pois os comércios costumam fechar por volta das 18h/19h. Na rua Ságarnaga tem várias lojinhas de artesanatos, galerias e agências de turismo e foi ali mesmo que começamos nossas compras.

Eu comprei vários estojos, necessaires, chaveiros, luva de forno pra minha casa nova e tocas de frio por 90,50 bolivianos tudo. Subimos mais um pouco e eu comprei um abridor de garrafa pro meu pai com formato de lhama por 10,00 bolivianos. Mais a frente, comprei três pulseirinhas daquelas bem coloridas de linha por 9,00 bolivianos tudo.

Como a gente ainda ia fazer uma tatuagem, passamos na casa de câmbio pra trocar mais 50,00 dólares a uma cotação de 6,95 (347,50 bolivianos). Já eram quase 18:30 quando corremos pro estúdio pra fazermos nossas tatuagens antes deles fecharem. Fizemos um coração pequeno na parte de trás do braço logo acima do cotovelo. A ideia era representar a amizade e a viagem que foi sensacional e vai ficar pra sempre guardada na memória.

 
Fizemos a nossa tatuagem na galeria Dorian, nº 31 que fica na rua Ságarnaga y Murillo. O nosso tatuador foi o Tulul del Villar (nome no Facebook também) e o whatsapp dele é +591 60600685. Pagamos 110,00 bolivianos cada uma com um mega desconto depois da gente ter infernizado a vida do tatuador, mandando milhares de mensagens no whatsapp pedindo desconto. Se não me engano o preço inicial era 200,00, depois caiu pra 150,00 porque dissemos que seria um coração pequeno e depois de chorar muito fechamos em 110,00 bolivianos mesmo.

Uma coisa muito engraçada que aconteceu enquanto esperávamos o nosso tatuador esterilizar o local foi que tinha um menino fazendo uma tatuagem no braço com outro tatuador e ele tava fazendo uma cara de dor. Eu perguntei se tava doendo muito e ele disse que não. Aí, a lokaaaa resolve perguntar se a tatuagem era pra namorada dele. O garoto arregalou o olho e a Elisa me deu uma cutucada na hora e disse: tá escrito Elvis sua idiota! Hhahahahahahahaha caraaaaaa queria abrir um buraco no chão pra enfiar minha cabeça de tanta vergonha. Como eu tava sem óculos e não enxergo quase nada de longe eu li Elis. O menino ficou todo sem graça e eu mais ainda, então, achamos melhor encerrarmos nossa conversa por ali quando o silêncio reinou no ambiente por longos 2 minutos, até a Elisa sentar e começar a fazer a tattoo dela. Hahahahahahaha

Algumas pessoas me perguntam: É seguro fazer tatuagem na Bolívia? Cara! Eu achei tudo bem limpinho e organizado, mas é sempre bom conferir se todos os materiais são descartáveis e, óbvio, se seu decalque tá certinho antes de fazer a tattoo. O meu decalque ficou torto e adivinhem?! Meu coração ficou tortinho, mas o da Elisa ficou perfeito. Então, foi coisa de azar mesmo! Hahahaha E claro que tinha que ser comigo, né? Rs

Não vi qualquer problema em fazer a tatuagem na Bolívia. Inclusive o Victor, o menino que perdeu o mochilão lá em Sucre, também fez uma tattoo na Bolívia e ficou iradíssima.
 
Saímos do estúdio e fomos fazer mais compras pela Calle de las Bruxas e depois seguimos direto pra uma rua que fica atrás do Mercado Lanza (seguindo direto essa rua você dá na Plaza Murillo). Lá tem várias lojas de sapatos e roupas de frio e tava tendo uma feirinha no meio da rua com várias muambas legais.

Eu comprei uma bota linda e super quentinha de couro sintético por 100,00 bolivianos. Depois eu e Elisa fomos na farmácia comprar a pomada que o tatuador recomendou e dividimos um tubinho pras duas (6,90 bolivianos pra cada). Passamos no Mercado Lanza e compramos uma vitamina pra nós duas (4,00 bolivianos pra cada) e depois fomos pro hostel. Antes de subir, compramos uns grãos e uns biscoitos tradicionais da Bolívia, como um biscoito salgado de banana muito bom (3,00 bolivianos 100gr).

Subimos pro hostel pra fazer o check-in no novo quarto de 20 pessoas e já pagamos todas as diárias (245,00 bolivianos), já que no dia seguinte sairíamos muito cedo pra ir pro aeroporto. Entramos no quarto e ficamos chocadas com a bagunça que era aquilo lá. Sem sacanagem nenhuma, eu nunca vi um quarto compartilhado tão bagunçado e nojento como aquele. Tinha meia suja pra tudo quanto é lado, mala aberta no meio do caminho, comida jogada na cama...

 
Das 20 pessoas que habitavam aquele quarto, 18 eram israelenses e pareciam se conhecer, porque ficavam gritando e pulando e mandando rádio uns pros outros. Acho que pelo fato deles se conhecerem, eles assumiram que o quarto era só deles e cagaram no fato de terem duas brasileiras perdidas no meio daquela bagunça e sujeira. Graças a Deus só dormimos lá uma noite!

Deixamos os mochilões no quarto (dentro do locker) e fomos jantar num restaurante de massas que vimos perto do hostel. Pagamos 45,00 bolivianos cada uma num prato de nhoque que tava bem mais ou menos e voltamos pro hostel pra tentar deixar tudo arrumado e engatilhado pro dia seguinte, porque acordaríamos às 4:00 pra pegar o táxi pré-agendado para às 5:00.

Tomamos banho, arrumamos tudo, separamos nossas roupas pro dia seguinte e eu coloquei meu tapa olho e tapa ouvido (isso me ajudou demais durante toda viagem, porque eu não ouvi roncos, batidas de portas, gritos ou deixei de dormir por causa de luzes acesas no meio da noite).

Amanhã nesse mesmo horário já estaríamos no Brasil dormindo nas nossas caminhas e tomando banho nos nossos banheiros! \o/

SALDO DO DIA:

- 5,00 bolivianos – Artesanato do Tiwanaku
- 90,50 bolivianos – Lembrancinhas pra família e amigos
- 9,00 bolivianos – Pulseirinhas de linhas coloridas
- 10,00 bolivianos – Abridor de garrafa
- 110,00 bolivianos – Tatuagem
- 100,00 bolivianos – Bota de couro sintético
- 6,90 bolivianos – Pomada pra cicatrização da tatuagem
- 4,00 bolivianos – Vitamina
-3,00 bolivianos – Biscoito salgado de banana
- 245,00 bolivianos – 5 Diárias no Hostel Muzungu
- 45,00 bolivianos - Jantar

* Trocamos 50,00 dólares = 347,50 bolivianos (cotação de 6,95 bolivianos por dólar)

TOTAL: 628,40 bolivianos

PRÓXIMO CAPÍTULO: (CAP.25) A viagem de La Paz pro Brasil

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Maryana Teles
Maryana Teles
Carioca, publicitária e apaixonada (digamos que, talvez, viciada) por viagens de estilo low cost. 25 países na bagagem e muitas histórias, micos, dicas e inspirações pra quem também vive (ou quer viver) uma VIDA MOCHILEIRA!